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“Cisne Negro” é um filme genial!

Amigos,

Neste sábado, dia 05/02/2011, Julie e eu fomos ao cinema ver “Cisne Negro”, de longe o filme mais controverso, comentado, premiado e disputado da atualidade. Thriller psicológico baseado no famoso balé “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky, “Cisne Negro” é um festival de interpretação, roteiro, direção e coreografia. E já ganhou um lugar especial na minha coleção assim que sair o DVD. WARNING!! Esse post contém spoilers.

Para aqueles que não conhecem, “O Lago dos Cisnes” é um balé de autoria de Tchaikovsky que conta a história de Odette, linda, pura e virginal menina que foi sequestrada e aprisionada no corpo de um cisne branco pelo diabólico feiticeiro Rothbart (sem qualquer motivo explícito). Pelo feitiço, de dia ela e seu séquito seriam cisnes e à noite reassumiriam sua forma humana, sendo quebrado somente por um homem que lhe jurasse amor verdadeiro. Com o sequestro de Odete, sua mãe, de tanta tristeza, chorou copiosamente e suas lágrimas transformaram-se num lago em que os cisnes se reuniam.

Após ganhar de aniversário um arco e flechas, o Príncipe Siegfried sai para caçar na floresta e chegou ao lago dos cisnes. Ao cair da noite, vê as aves tornando-se em mulheres e logo se apaixona pela Rainha dos Cisnes, Odette, convidando-a para um baile na noite seguinte.

No baile, Rothbart aparece com sua filha Odile com a aparência de Odete, mas como se fosse um cisne negro transformado. Seduz Siegfried e ele lhe jura amor eterno, pensando ser Odette. Ao chegar ao baile, o cisne branco percebe que o único que a amou não lhe era mais fiel e, portanto, o feitiço não seria quebrado.

Voando de volta para o lago dos cisnes, Odette se depara com Siegfried, que lhe pede perdão e entende que a Rainha dos Cisnes será para sempre uma ave; desesperada e magoada, o Cisne Branco atira-se no lago e morre, porque somente a morte lhe daria a tão sonhada liberdade.

Naquele background encontramos no filme “Cisne Negro” Nina (Natalie Portman, eterna Rainha Amdala de “Star Wars”), delicada menina que dança há 4 anos na grande companhia de balé do grande coreógrafo Thomas Leroy (Vincent Cassel), sem que tenha interpretado grandes papéis em suas produções.

Contudo, com a aposentadoria (compulsória) da grande diva Beth Macintyre (Winona Ryder em participação especialíssima), o leading role da próxima produção da companhia de balé, “O Lago dos Cisnes”, fica vago. Nina consegue o papel, apesar de Thomas achar que sua disciplina e delicadeza virginal são perfeitas para o papel do Cisne Branco, mas a luxuriosa e sedutora Cisne Negro é sempre interpretada pela mesma bailarina, afinal, elas precisam ser iguais para enganar o Príncipe (no filme, a produção do balé alterou o Cisne Negro para ser a irmã gêmea de Odette).

Acontece que Nina é filha de uma ex bailarina que sequer chegou perto do estrelato e, como é tristemente comum nessas situações, projeta na filha suas frustrações, e isso se reflete em um perfil pisquiatricamente duvidoso de Nina (costuma coçar-se de nervosa até sangrar, arranca pedços de pele, é bulímica, cleptomaníaca e extremamente retraída).

Iniciados os ensaios, Thomas insiste pungentemente que Nina deve libertar-se de sua ortodoxia e deve buscar seu lado selvagem e livre, ou seja, somente conseguirá interpretar a Rainha dos Cisnes com perfeição se deixar de lado um pouco de seu perfil “cisne branco” e permitir-se viver as experiências e a selvageria do cisne negro.

Somem-se às pressões para viver esse que é dos maiores e mais complexos da história do balé, o perfil paranóico de Nina e a admissão da livre, espontânea e selvagem Lilly (Mila Kunis) na companhia. Todos esse fatores agravam o já fragilizado quadro psicológico de Nina, principalmente quando a nova bailarina é perfeita para o papel e acaba sendo nomeada como sua substituta. Nina, então, se envolve num thriller psicológico cheio de referências a “O Lago dos Cisnes” e onde o espectador não consegue distinguir entre realidade e esquizofrenia.

Dirigido por Darren Aronofsky, o cineasta volta a retratar a perturbada mente humana, transformando suas paranóias no ápice do roteiro (assim como ele fez em “Pi” de 1998, “Requiem For a Dream” de 2000 e “The Wrestler” de 2008). Em “Cisne Negro” vemos uma Natalie Portman excessivamente magra, infantilizada, lotada de feridas de balé e restrita às pressões de sua mãe que a tem como alvo de sua frustração profissional.

E não me admira nenhum pouco que Natalie Portman tenha sido indicada para o Oscar como melhor atriz (ganhou o Golden Gobe nessa mesma categoria), afinal, não somente castigou seu corpo para chegar à magreza bulímica, como criou uma personalidade duvidosa e paranóica que consegue imprimir sutileza e dubiedade à perturbada Nina, condenando o público ao mesmo destino de Siegfried no “Lago dos Cisnes”: não conseguimos saber se quem age é o doce cisne branco ou o furioso cisne negro, principalmente porque as personagens más que perseguem Nina e a ameaçam são a própria Natalie Portman (como no “Lago dos Cisnes”), saindo de espelhos, transfigurando-se de outras mulheres ou imagens projetadas de sua cabeça.

Aliás, essas oscilações de Nina e principalmente sua transformação no Cisne Negro na noite de estréia do “Lago dos Cisnes” são cenas bastante fortes, pois seu alter ego deixa bem claro que, para que a bailarina possa interpretar essa personagem, é capaz de tudo, inclusive de cometer crimes. E isso se demonstra pela atuação genial de Natalie Portman, mas também das tomadas com as câmeras bem próximas dos persoangens, parecendo que são perseguidos, um roteiro linear interpolado com flashes de memórias paranóicas, além da trilha sonora ser uma repetição intensa e non-stop dos atos de “Lago dos Cisnes”.

Mas o mais legal é que Natalie Portman dançou balé até os 13 anos, mas nunca seguiu nessa linha. Para se transformar numa bailarina profissional e perfeccionista, teve que fazer um rotina de 6h diárias de balé com a preparadora Mary Helen Bowers. Começaram do básico e chegaram ao profissional principalmente por causa da disciplina e e força de Portman.Tanto é que no filme Portaman dança em 90% das cenas, sem dublê.

Há muito tempo não via um filme genial como “Cisne Negro” e devo dizer que uma coisa só me entristece: estou certo que a maioria das pessoas vão ao cinema somente pela cena de sexo gay entre Natalie Portman e Mila Kunis. De qualquer forma, o filme é impressionante e falar mais dele me obrigará a contar o final. Assistam!

Confiram o trailer:

Sobre Marcelo Moreira

"I'm the son of rage and love, The Jesus of suburbia. The bible of none-of-the-above on a steady diet of Soda pop and Ritalin. No one ever died for my sins in hell, far as I can tell, at least the ones I got away with. And there's nothing wrong with me this is how I'm supposed to be. In a land of make-believe I don't believe in me". (Jesus of Suburbia - Green Day)

5 comentários em ““Cisne Negro” é um filme genial!

  1. Eu te falei q o filme é incrível… Valeu cada centavo. E pensar q o João chegou a cogitar dormir no início… hahahahaha!

    A cena q me arrepiou foi a da transformação de Nina no Cisne Negro. Lindíssima! Arrepiou de verdade! A coreografia e a computação gráfica quando bem trabalhadas juntas, dentro de um contexto, pra realmente dar asas à imaginação, tem um impacto incrível.

    Agora, a cena de sexo das duas é dispensável. Completamente.

    bjo! :)

    • Cara, aquela transformação psicológica de Nina em Cisne Negro, materializada na coreografia executada com perfeição e na computação gráfica foi o ponto alto do filme. Eu tive vontade de levantar e aplaudir a poesia daquela cena. A cena de sexo gay, embora contextualizada, o próprio argumento do roteiro é fraco, mas entendi como uma relação de amor e ódio entre a primma donna e a substituta. Desnecessária, estritamente comercial. Essa relação poderia ter qq outro simbolismo, mas coube no filme.

      • Caro amigo, permita-me discordar de vc. Mas a cena lésbica era essencial, uma vez que Nina nutria pela rival uma relação de ciúmes, insegurança e admiração. Havia um desejo reprimido (o ciúme não deixa de ser um desejo sublimado pelo rival), pelo menos psicologicamente falando. Mas gostei da sua crítica e adicionei uma parte dela no meu Blog. Pode conferir a minha interpretação do filme, que também achei genial!

  2. Caros autores, boa tarde! Li por aqui a notícia que venho trazer, mas aproveito para lembrá-los e, claro, para me apresentar.

    Peço licença para comunicar que “Nixon na China” (de John Adams) será transmitida do Met Opera NY para as telas do Brasil, inclusive, no dia 12 de Fevereiro (às 16h), exclusivamente nos cinemas.
    ___
    “Produção criada originalmente para a English National Opera, ‘Nixon na China’ estreou em 1987 em Houston, e leva para o palco o encontro entre o presidente norte-americano e Mao Tsé-Tung, na China Comunista, em 1972 – um evento verdadeiramente mitológico na história moderna.”

    Acredito que muitos leitores irão apreciar esta notícia. Caso queiram entrar em contato comigo para esclarecer quaisquer dúvidas, meu e-mail é socialmedia@mobz.com.br

    Abraços,
    Rafael Queres – LiveMOBZ
    http://www.mobz.com.br

  3. [...] vou confessar que gostei mais da tensão de Cisne Negro, apesar de ter ficado feliz com a premiação de “O Discurso do Rei” como o melhor [...]

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